Tipos de lâmpadas e casquilhos: diferenças e usos

Ao escolher um candeeiro, a atenção vai naturalmente para a forma, o material, a luz que produz. O casquilho, o componente que faz a ligação mecânica e eléctrica entre o candeeiro e a lâmpada, raramente é o primeiro critério. Mas é o que determina que lâmpada pode ser utilizada,. Perceber a designação de cada tipo evita incompatibilidades na compra e simplifica qualquer substituição futura.

As designações seguem convenções normalizadas. Iniciam-se pela letra (que indica o mecanismo de fixação), seguida de um número (que indica uma dimensão física: o diâmetro da rosca nos tipos E, ou a distância entre pinos nos tipos GU). Seguido deste, surge outra designação relativa à forma da lâmpada que segue a mesma lógica. A letra A designa lâmpadas normais, as letras B ou C designam lâmpadas tipo vela, a letra G indica a forma de um globo. Finalmente, as letras R e BR indicam lâmpadas refletoras e de formas especiais.

Conhecendo esta lógica, torna-se mais fácil e direto perceber quais as características necessárias para a fonte de luz de um determinado candeeiro.

E27, o casquilho de rosca padrão

O tipo E27 é o mais comum e utilizado em iluminação doméstica na Europa. A letra E designa o sistema Edison (uma rosca helicoidal que enrosca directamente na base do candeeiro), e o número 27 corresponde ao diâmetro exterior da rosca em milímetros.

É o encaixe presente na grande maioria das suspensões, candeeiros de pé, candeeiros de mesa e apliques de parede de maiores dimensões.

Assim sendo, é o tipo de lâmpada com a oferta mais ampla disponível, com opções LED em praticamente todas as temperaturas de cor, formas e graus de abertura. Entre os principais formatos de lâmpada podemos encontrar o A60, o mais comum, com uma forma de pera, e que é útil para a generalidade dos contextos onde o formato da lâmpada não é um elemento visual determinante.

Os globos esféricos, como G80 ou G125 possuem um caráter decorativo marcado e, para além da forma, possuem muitas vezes filamentos especiais que procuram replicar os das velhas lâmpadas incandescentes. São, por isso, muito usadas em designs de lâmpada exposta ou em candeeiros suspensos com aberturas largas ou em designs mais específicos (como os candeeiros industriais). Existem ainda lâmpadas espelhadas, mas não são adeqaudas para uso em todo o tipo de candeeiros devido ao calor adicional que emitem.
Os formatos ST64 e S14 são mais alongados, com uma silhueta tipo gota alargada, são igualmente usadas nestes contextos e estão disponíveis, geralmente, com filamentos personalizados.

Por último, as lâmpadas PAR são as mais distintas e focadas em aspetos técnicos. É um formato direcional que integra um refletor parabólico interno, que concentra a luz num feixe orientado, de forma semelhante às lâmpadas GU10 padrão.

E14, o casquilho de rosca pequeno

Com o mesmo princípio do tipo E27, o casquilho E14 possui um encaixe de rosca que é mais reduzido face ao primeiro. Isto permite a sua incorporação em candeeiros mais compactos e de dimensões menores onde uma lâmpada E27 seria demasiado volumosa face ao design do produto.

Por norma, surgem em formatos mais alongados face às lâmpadas E27 e com uma oferta também ampla, mas também mais limitada face a estas. O mais comum é o C35, tipo vela, com perfil afilado em direção ao topo.

GU10 e GU5.3, para iluminação direcional

O GU10 é um casquilho de dois pinos com sistema de encaixe por pressão e rotação: a lâmpada é introduzida, premida ligeiramente e rodada cerca de 30 graus até fixar. A designação GU indica o tipo de pino guiado, e o número 10 refere-se à distância entre os centros dos dois pinos em milímetros.

Ao contrário dos tipos E, o GU10 funciona directamente à tensão de rede, sem necessidade de transformador. Difere do GU5.3 precisamente por este motivo, já que este tipo de lâmpadas opera a 12 V e requer um transformador ou driver para converter a tensão de rede, e pela distância entre pinos.

É o encaixe predominante em artigos de iluminação técnica, como projectores encastrados, spots de superfície e calhas de iluminação orientável. A sua geometria compacta e a facilidade de substituição tornaram-no o padrão para iluminação direcional em cozinhas, casas de banho, corredores e espaços comerciais.

A oferta de lâmpadas LED GU10 é extensa, incluindo opções com diferentes ângulos de abertura. O formato de lâmpada associado ao GU5.3 é habitualmente designado como MR16, uma referência à forma reflectora multifacetada de 2 polegadas (cerca de 51 mm) de diâmetro que caracteriza muitas delas.

G9, o mais compacto

O tipo G9 merece referência por ser um casquilho crescentemente presente em candeeiros de design. Funciona sem transformador e, em termos de encaixe, caracteriza-se por dois pinos em alça, separados por 9 milímetros, que se inserem directamente no suporte do candeeiro. A sua dimensão reduzida permite luminárias de perfil muito fino e designs de grande contenção volumétrica ou o seu uso em grandes lustres, onde o uso duma lâmpada maior criaria uma escala incomportável para o candeeiro.

A escolha de lâmpada é importante: afeta a qualidade da luz, a eficiência energética, a vida útil do sistema e a experiência de uso ao longo do tempo, mas também o visual do seu candeeiro.

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